terça-feira, 21 de junho de 2016

De cabeça para baixo, capítulo 7

- Ei! Ei!- uma secretária que não conhecia tentou me parar saindo do balcão e colocando-se em minha frente- Aonde pensa que está indo?
  - Deveria lhe falar?- eu perguntei tentando sair de sua frente.
  - Nada disso garota, você não pode sair à hora que quiser- ela falou olhado de cima abaixo para mim com uma cara de desgosto- Aliás, me falaram que você não pode sair do prédio.
  - Mas um policial me ligou avisando que as digitais ficaram prontas!- eu elevei a voz.
  - Há provas?- ela falou, no mesmo instante, o telefone tocou. Ela me olhou desconfiada e falou para que ficasse paradinha ali enquanto ela atendia ao telefone. Bufei e comecei a andar em círculos- Ally Spinnet, certo?- ela perguntou desligando o telefone.
  - Só Ally- eu corrigi.
  - Está liberada- ela falou desanimada.
 Sai correndo a xingando mentalmente. Enquanto corria, passei em frente a uma pizzaria, adivinha quem estava lá? Matt, Carl, Tyler e Missie. Eles olharam para mim enquanto corria e Matt levantou-se a tempo de pegar meu braço e me parar.
  - Ei! Onde está indo?- ele perguntou olhando a roupa que eu estava vestindo e meu rosto que estava pálido, com olheiras e com aparência de alguém que não come há um tempo. Sem falar no ninho do meu cabelo.
  - Não é do seu interesse!- eu gritei- Me larga agora!
  - Ei...o que foi?- ele perguntou com uma expressão preocupada.
  - Me larga!- eu gritei mais alto, fazendo com que algumas pessoas olhassem para nós dois.
  - Ei, a largue, cara- um homem alto e musculoso falou levantando-se da mesa em que estava sentado. Matt olhou para ele meio assustado e me largou, dei um olhar mortífero a ele e um amigável para o homem alto e musculoso. Ele sentou-se de novo e eu me pus a correr o mais rápido que podia.
  Depois de três quarteirões, cheguei à delegacia. Entrei e parei de correr, olhei em volta e comecei a puxar enormes quantidades de ar. Apoiei-me em uma parede muito cansada, devido à corrida e o fato de não ter comido nada, nem ontem e hoje.
  - Ally!- Vivian me avistou quando saiu de uma porta do outro lado da recepção- O que houve?
  - Onde...estão...os resul...tados das....digitais?- eu perguntei pausando frequentemente para “sugar” mais ar.
  - Estão prontos mas...- ela começou a falar preocupada- Queria saber o que houve com você. Está com um semblante tão...
  - Despencado e descuidado?- eu completei- É, eu sei disso. Mas, sabe né...acabei de perder a pessoa mais importante de minha vida.
  - Estou preocupada e...
  - Você não é minha mãe, ou da minha família. O que está acontecendo comigo não é de sua conta. Agora, os resultados das digitais!- eu falei em tom autoritário recompondo-me.
  - Acompanhe-me, por favor- ela falou olhando para mim com um olhar culpado e triste. Ela abriu a porta por qual saiu e entramos na sala do xerife.
  - Sente-se nesta cadeira por favor, Ally- ele falou olhando para minhas pantufas.
  - Xerife- eu o cumprimentei enquanto me sentava.
  - Então, como já sabe, o que houve há alguns dias atrás foi um crime e...
  - Olha, eu sei o que houve. Só me fala o resultado. Por favor. Não quero saber de mais nada!
  - Bem, na verdade, você precisaria assinar isto e...- ele falou com um pouco de raiva em sua voz, provavelmente pelo modo como falei com ele.
  - Okay- eu peguei uma caneta em um porta-lápis e o papel em que ele estava segurando- Isso?
  - Sim, mas...
  - Pronto- eu falei assinando e entregando para ele- Resultados. Por favor- eu falei com a voz já trêmula.
  - Bem, fizemos os testes das digitais e, realmente Ally, é Adelle a autora do crime- ele falou com um tom de voz triste- Ela está sendo procurada e estamos ainda investigando o caso, precisamos ter certeza absoluta de que Jorge não estava tentando nada contra ela, pois se estava, ela poderá continuar solta. Não consideramos um crime a autodefesa.
  - Está dizendo que meu...que Jorge  tentou algo com ela?- eu perguntei em tom sarcástico- Jorge estava com um sorriso enorme do rosto ao me apresentá-la, para então aquela vaca o matar! Ela é uma assassina- eu falei me levantando- Se vocês não a pegarem, eu mesmo faço isso. Se quiser anotar isto, pode anotar, xerife.
  Antes que ele ou Vivian, que estava ao lado da porta, dissessem alguma coisa, sai correndo da delegacia, atraindo a atenção de alguns policias. Então, quando estava quase saindo, um policia agarrou meus braços e os algemou.
  - Ei! Eu não fiz nada!- eu falei indignada com a situação.
  - Então por que correr?- ele perguntou com uma voz fria. Ele estava me encaminhando para a sala do xerife, então Vivian apareceu no caminho e disse que ele poderia me soltar. Olhei com raiva para os dois e voltei a fazer o meu caminho. Sai da delegacia mordendo a unha, pensando em como conseguiria achar Adelle. Parei ao lembrar o abrigo em que estava. Dei meia volta e voltei à delegacia. Vivian estava conversando com a secretária ou sei lá quem era, e parou ao me ver entrando novamente na delegacia.
  - Algum problema, Ally?- ela falou vindo ao meu encontro.
  - Já que as digitais são da Adelle, quero voltar para minha casa. Imediatamente- eu falei meio envergonhada.
  - Eu vou tentar convencer o xerife, quem sabe até depois de amanhã você volte- ela falou- Mas é melhor se acostumar vindo aqui, ainda temos de decidir aonde você vai morar. E, aliás, não fale daquele jeito com o xerife, você pode ser presa por desacato à autoridade.
  - Eu não ligo!- eu falei com a voz rouca- E, aliás, não quero perder tempo! Quero voltar já para minha casa! Agora ela é minha e eu vou para lá hoje!
  - Ally, as coisas não são do jeito que você pensa que é- ela continuou- Tem um longo processo e...
  - Eu não ligo!- eu disse- Eu quero morar na minha casa!
  - Okay, okay- ela falou olhando em volta como se tivesse alguma preocupação- Eu vou conversar com ele. Mas fique calma, vá para seu dormitório no abrigo e aguarde minha ligação.
  - Feito- eu falei como se estivéssemos em um acordo. Dei um leve sorriso para ela e sai da delegacia, decidi que ela é amiga. Ela é sempre meiga comigo e faz o que um policial qualquer não faria por mim. Depois de andar por um quarteirão, vi a Ferrari vermelha vindo em minha direção, parei e tentei enxergar quem estava no volante. Matt.
  Dei meia volta decidida a pegar outro caminho, mas o carro me alcançou e parou ao meu lado. Matt desceu o vidro do carro e olhou para mim.
  - Ally, então voc...- ele começou a falar, mas eu parei de prestar atenção ao sentir algo atingindo minha testa com força. Uma dor se espalhou em minha cabeça e toquei onde alguma coisa batera em minha testa. Levei minha mão em frente aos meus olhos e vi sangue.
  - Mas o que?- eu murmurei, então olhei para baixo, ao mesmo tempo em que Matt abria a porta e vinha ver o que houve, junto dele: Missie e Carl.
  - Ally, você está bem?- Missie perguntou preocupada.
  - Alguma coisa me acertou- eu falei me agachando e pegando uma pedra. Ela tinha sangue em uma parte e na outra havia uma papel preso por uma fita. Sentei-me no chão rodeada pelo grupo que acabara de chegar, e desamarrei a linha jogando-a no chão e pegando o papel. Ele estava dobrado, então o desdobrei lendo o que estava escrito: 1-1. Quais ama.
  - O que é Ally?- Carl perguntou como se fôssemos amigos.
  - Não é do interesse de vocês- eu falei levantando-me e passando a manga do moletom em cima do ferimento.
  - Ei, Ally! Devemos ir à delegacia!- Missie falou preocupada- Isso poderia ter te matado.
  - Mas não matou- eu falei saindo de perto deles e prosseguindo o meu caminho.
  - Quer uma carona?- Matt perguntou meio sem jeito.
  - Wow!- eu exclamei sem me virar para ele- Semana passada, recebo um balde de tinta rosa em minha cabeça, hoje, uma carona!- dei uma longa gargalhada.
  - Ally- Matt falou me alcançando- Nós fazemos isso com todos que entram na escola, é tipo um ritual. Nós mesmos sofremos por isso, e depois nos enturmamos.
  - Que ritual mais infantil- eu falei parando e me virando para ele- O que você quer de mim?
  - Ally, o que você passou foi horrível e queríamos nos desculpar- ele falou com sinceridade- E queríamos dar...dar nossos sentimentos pelo o que houve.
  - Ele era a coisa mais importante que eu tinha- eu murmurei com os olhos lacrimejando.
  - Você não acha que precisa de amigos para reconfortar esta dor?- ele perguntou apontando para Missie e Carl. Nunca tivera amigos, então não sabia como era tê-los. Olhei um pouquinho para cada um e...continuei o caminho.
  - Ei! Ally...- Missie me chamou.
  - Okay, eu vou aceitar a carona- eu falei me virando e indo em direção ao carro- Só porque nunca andei de Ferrari.
  - É um progresso- Matt falou dando um sorriso amigável. Entrei no banco e trás junto com Missie e senti mais sangue escorrendo. Passei a manga do moletom sobre a ferida novamente.
  - É melhor a levarmos ao hospital- Missie falou olhando preocupada para meu ferimento.
  - Há uma enfermaria no abrigo em que estou, então não há problema algum- eu falei olhando a paisagem enquanto o carro percorria seu caminho. Um telefone começou a tocar, demorei um pouco para perceber que era meu. Após todos negarem que o toque eram deles, eu peguei o meu telefone em meu bolso e atendi.
  - Alô?- eu perguntei com a voz duvidosa.
  - Pobre Ally, você ainda tem muito para sofrer, minha jovem querida- uma voz melosa e fria saiu do telefone.
   - Quem é?- Missie perguntou. Coloquei no viva voz encolhendo os ombros.
  - Estou lhe observando. Cada passo. Cada palavra. Tudo. Um dia iremos nos reencontrar, minha flor, e você irá dar o que me pertence! Aliás, entrar no necrotério é nojento!- a dona da voz desligou. Todos me olharam desconfiados, assim como olhei para o telefone desconfiada.
  - Adelle- eu murmurei enquanto as engrenagens de meu cérebro funcionavam. O telefone tocou novamente.
  - Que história é esta?- Carl perguntou virando sua cabeça e olhando para mim do banco da frente. Balancei minha cabeça em forma negativa e atendi ao telefone.
  - Ally? Ally?- ouvi a voz de Vivian- Ally, onde você está?
  - Estou indo para o meu abrigo- eu falei ainda meio assustada devida aquela ligação.
  - Ally, quero que vá ao hospital imediatamente- ela falava com a voz agitada.
  - Por que, o que houve?- eu perguntei esperançosa de que Jorge tivesse “revivido”.
  - O corpo de Jorge- ela falou, não entendi- Ele foi roubado, não estão achando o corpo de Jorge no necrotério.


terça-feira, 24 de maio de 2016

De cabeça para baixo, capítulo 6

Depois de pegar tudo o que fosse necessário para meu uso no abrigo, Vivian e o outro policial me conduziram até o carro para me levarem até lá. Colocaram minhas poucas coisas no porta-malas e demos início à “viagem”. Depois de um tempo não muito longo, mas não muito curto, chegamos ao abrigo, e era praticamente um orfanato. Um frio percorreu minha espinha.
  - Até quando vou ficar aqui?- eu perguntei com a voz fraca e rouca, e ao mesmo tempo me esforçando para não ficar chorando.
  - Uma semana mais ou menos. Ou duas- Vivian falou com uma expressão meio culpada.
  O policial abriu o porta-malas do carro, revistou o conteúdo que estava na pequena caixa e a tirou do carro a levando para dentro do abrigo. Ao entrar lá dentro,  meu coração acelerou, não tinha boas experiências com locais como este. Ele pousou a caixa no balcão da recepcionista e começou a conversar com ela sobre seja lá o que, e entregar um papel com alguma coisa qualquer escrita. Sentei-me em uma das cadeiras cobrindo meu rosto com as mãos e pousando meus cotovelos sobre minhas pernas. Isso era uma maneira estranha de esconder as lágrimas. Ao sentir alguém me cutucando no braço, ergui a cabeça lentamente e olhei para o lado.
  - Vamos- Vivian me disse fazendo um sinal com as mãos me dizendo que deveria acompanhá-la.
  A moça que estava no caixa pegou uma chave enferrujada e começou a nos guiar pelos extensos corredores do local, aquilo era como um labirinto. Depois de andarmos por um tempo e subirmos algumas escadas, ela abriu uma porta, no que parecia ser o quinto andar, e pediu para que entrássemos. Erro o dela.  Mal cabiam duas pessoas no quarto de tão minúsculo que era: uma pequena cama posta ao canto do quarto com uma mesinha e uma cadeira ao lado, e na frente da cama um pequeno armário. O policial colocou a caixa sobre a cama e saiu do quarto ficando parado ao lado da porta. Provavelmente deveria entrar. Olhei em volta tentando achar alguma coisa boa: tinha um quarto só meu. Voltei à estaca zero: sem pais, sem amigos, sem um lar de verdade. Apenas naquele abrigo, sozinha e sem o amor de Jorge.
  - Há alguns deveres escritos em um papel que está logo atrás da porta mocinha. Respeite as ordens- a recepcionista falou enquanto eu dava um giro de 360°graus para ver o local. Depois de falar isso, saiu andando pelos corredores para voltar ao trabalho.
  Vivian me deu algumas instruções e regras do local e depois disso me deixou sozinha no quarto, indo embora com o policial. Fechei e tranquei a porta e me joguei na cama, sentindo um pequeno cheiro de mofo. E comecei a chorar, e depois dormi.
  Acordei apenas na manhã seguinte já estranhando o porquê de não estar sentindo o delicioso cheiro das panquecas de Jorge. Ah, é. Havia me esquecido. Ele morreu. Estou em um abrigo. Com cheiro de mofo. Aguardando as digitais.
  Decidi não ir à escola e não tomar café da manhã, que tinha o horário certo neste lugar. Como em todos os outros. Fiquei o dia inteiro na cama, até me lembrar de que precisava me instalar no local. Levantei-me com esforço e comecei a guardar algumas mudas de roupas que trouxera no armário, e colocar alguns livros e cadernos da escola na mesinha. Quem sabe se eu fizer os deveres isso me distraia? Passei a tarde fazendo lições e estudando para tirar Jorge da cabeça e imaginando como seria voltar para a escola depois de uma tragédia como essa. Receber os avisos de reuniões de pais. Os bailes de pais e filhas. Droga, se concentre na lição, Ally!
  Comecei a sentir fome e me lembrei dos armários de casa, e na geladeira. Meu estômago roncou e me lembrei que não comera nada desde a última noite. Pensei em ir para casa e pegar a comida de lá, mas não trouxera meu carro.
  Olhei o horário em meu celular e já passara do horário em que davam a janta, então peguei minhas coisas para ir tomar banho. Fui caminhando pelo corredor tentando achar o banheiro então achei a secretária do local vindo em minha direção.
  - O horário já passou. Depois das 20:00 ninguém deve sair de seu dormitório- ela falou parando em minha frente com um ar de superioridade.
  - Mas eu perdi a hora e eu não poss...
  - Calada! Volte ao seu dormitório imediatamente!- ela levantou o tom de voz para me interromper.
  Olhei para ela com cara feia e voltei o meu dormitório. Okay, aquilo com toda certeza era traumático! Esse lugar é tenebroso e me lembra muito um orfanato, do qual eu tinha apenas uma “amiga”, que era a senhora que me achara na porta e me dera esse nome, Ally. Porém ela faleceu e eu fiquei sozinha, não tenho muitas memórias com ela, mas tenho o suficiente para saber que ela era a única coisa boa naquele local. Aqui não tem nada de bom.
  Adormeci rapidamente com aquele pensamento de ódio e medo misturados. Ao acordar, lembrei-me de que precisava voltar à escola, só não sabia como. Iria passar pelo menos uma semana quieta tentando construir a máscara de “está tudo bem”, quando na realidade não está. Coloquei um moletom largo e pantufas que Jorge uma vez me dera no inverno, quando a temperatura estava muito baixa, e sai do quarto para ir até o refeitório para tomar café da manhã. Estava faminta. Porém não me lembrava muito bem do lugar em que ficava.
  Depois de 10 minutos procurando, finalmente cheguei ao refeitório a tempo de comer alguma coisa. Entrei na fila de várias garotas, mas nenhum garoto, provavelmente o lugar era apenas para garotas. Depois de mais cinco minutos, a fila acabou e eu peguei uma bandeja meio suja e comecei a me servir. Um café, um mini pacote de biscoitos/bolachas e um pão sem recheio. Sentei-me em uma mesa que não havia ninguém e comecei a me servir, até chegar um grupo de três garotas e se sentarem comigo.
  - Olá, parece que é nova aqui. Qual seu nome?- uma menina de cabelo azul me perguntou.
  - Ally- eu disse com a voz fraca e fria.
  - Então...Ally, o que lhe trouxe aqui?- uma morena me perguntou sorrindo. 
  - Por que querem saber?- eu perguntei e em seguida sai da mesa e coloquei o pacote no bolso e fui para meu dormitório comendo e bebendo o café. Não gostava de ser grossa com as pessoas, mas não pude evitar. Aquelas garotas me lembravam as do orfanato, das quais era frias e nojentas; porém não sabia a personalidade delas. De qualquer jeito, não preciso de ninguém querendo saber de minha vida. Ela não é interessante e está em um momento triste e sombrio.
  Ao entrar em meu dormitório, que não achara com muita facilidade, já havia terminado de comer e me deitei na cama novamente. Cochilei por mais um tempo até acordar com o telefone tocando.
  - Alô?- eu perguntei com a voz cansada.
  - Ah! Ainda bem que atendeu, aqui é o Matt...não sei se lembra de mim mas...queria saber o que está acontecendo e...
  - Escuta aqui: primeiro você me humilha, me trata como lixo e ainda quer saber o que houve com a minha vida? Volte para as suas duas namoradinhas e planejem a próxima maldade que irão fazer com seu próximo alvo!- eu disse com a voz alta e carregada de ódio e desliguei antes que pudesse dizer qualquer coisa. O celular voltou a tocar e eu o desliguei e bloqueei o contato de Matt. Por que as pessoas são tão intrometidas?
 

Uma semana se passou e eu continuava naquele local que tanto me trazia memórias ruins, até que quando estava lendo um pouco para distrair minha cabeça, o meu celular tocou, quero dizer, todo dia tocava. Mas dessa vez era o número da delegacia.
  - Bom dia, Srta. Spinnet.
  - Só Ally- eu corrigi o policial que estava na linha, Spinnet era o sobrenome de Jorge, o que fazia lembrar-me dele.
  - Hã...Srta. Ally- ele disse meio sem jeito-, o resultado das digitais saiu ontem de manhã e gostaríamos que viesse aqui na delegacia para que pudéssemos revelá-los.

  - Sim, já estou indo- eu falei dando um salto da cadeira e já abrindo a porta do dormitório. Estava com um moletom cinza e pantufas rosa, mas dane-se, precisava daqueles resultados. Precisava vingar Jorge. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

De cabeça para baixo, capítulo 5

Não consegui dizer mais nada. Ele acabara de conhecer a moça. Como já queria se casar?! Isso não é um conto de fadas.
 - Seremos uma linda família!- ele diz com um sorriso radiante no rosto, como alguém que realmente está feliz.
 - Desculpa, mas agora tenho de usar seu escritória urgentemente- Adelle disse-, mas tarde nós conversamos querida!- ela apertou minha bochecha e subiu as escadas em direção ao escritório. Odiei aquela atitude.
 - Ally, querida, você terá de arranjar um espaço para dividir  quarto com Agnes, só por um tempo até reformarmos a casa ou até comprarmos uma casa nova- Jorge diz com uma voz feliz. Realmente, ele acredita em tudo isso?
  Subi e logo fui para meu quarto, bati a porta com força e deitei. Fiquei olhando para o teto desejando que ele ganhasse uma boca e me comesse, só para não ter de conviver com essas duas. Se Agnes é uma completa vaca, imagine a mãe. Fiquei pensando em inúmeras possibilidades de fazer com que Jorge perceba que amor não é tão simples assim e que isso é uma baita mentira. Tantas possibilidades, tantas. Mas nenhuma faz sentido. Nada faz sentido. Principalmente quando você está dormindo. Uma imagem do casamento do dois passou pela minha cabeça, e depois um unicórnio esmagou Adelle. E Agnes virou uma cobra. Estou sonhando. Essa cobra me picou, bem no peito, onde estaria o meu coração, e com isso acordei assustada e suando.
Um policial estava me cutucando a chamando meu nome. Não havia policiais em casa.
 - Quem é você?- eu perguntei me sentando na cama, e instantaneamente, senti um aperto no coração. Minha respiração estava rápida, como se alguém tivesse me enforcado e depois me soltado. Exatamente como aconteceu entre Agnes e eu- O que aconteceu?- eu perguntei ao ver que o policial não me respondeu, só me olhou com uma olhar triste, muito triste.
 - O que está acontecendo?!- dessa vez eu gritei.
 - Venha- ele disse me guiando pela casa, como se eu nem morasse aqui.
Ao chegar no andar debaixo, haviam vários policias, sangue espirrado nas paredes ao lado da porta e alguns paramédicos entrando e saindo de casa. Meus olhos começaram a lacrimejar.
Lembra quando disse que hoje fora um dia completamente normal? Mentira! Jorge estava deitado em uma maca com uma um furo profundo no meio do peito. Comecei a chorar desesperadamente. Quando me perceberam ao lado da maca e chorando 10 vezes pior do que um criança quando alguém rouba o pirulito dela, me tiraram de lá a força, pois não queria sair, precisava ficar ao lado de Jorge. Uma dor enorme penetrou em meu coração. Algo devastador, como se alguém tivesse arrancado o meu coração. Os policias me sentaram no sofá, me deixaram lá na esperança de eu me acalmar. Mas não conseguia. Uma policial chegou ao meu lado e me ofereceu um lencinho, aceitei, mas o choro não cessava.
  - Recebemos uma denuncia anônima de uma assassinato nesta rua. Ao chegarmos não havia ninguém. Entramos aqui e...- ela não terminou a frase, ao invés disso, deu continuidade a outra- Chamamos a ambulância e enquanto alguns paramédicos analisavam seus ferimentos, rondamos a casa. E um policial achou apenas você aqui. Sabe se alguma coisa aconteceu?- sua voz era calma, não parecia aquele tipo de policial fria, mas aquela mais calma.
 - Não- eu disse em meio as lágrimas- Eu estava dormindo. Acordei com um policial no meu quarto e...- me lembrei de Adelle e Agnes, o choro diminuiu um pouco, pois agora a raiva estava tomando conta de mim- Mas antes disso haviam duas mulheres aqui. Agnes e Adelle, mãe e filha.
 - Okay, obrigada pela informação viu? Nós agora vamos esperar você se acalmar e depois a levaremos ao interrogatório. Mas antes disso, você é filha?
 - Adotada.
 - Parentes com quem eu possa contatar?
 - Não- eu disse, o choro aumentou mais, pois me lembrei que nunca tivera mão, tios, avós. Só o Jorge, e agora ele estava...Morto.
 Depois de meia hora, me conduziram a um carro de policia e ao caminhar, vi Matt e seus pais do lado de fora da casa conversando com um policial. Matt deu um leve sorriso para mim, consolador e não debochador, mas não retribui. Será que eles fizeram a denúncia anônima?
 Depois de 15 minutos chegamos a delegacia, havia bastante movimento lá. Particularmente gostaria, quero dizer, precisava de estar no hospital com Jorge, mesmo sabendo que ele não está vivo mas...sabe quando você precisa daquela pessoa? Quando ela faz parte de você e você a perde? Dói muito. Falo isso por experiência, quero dizer, acabei de perder meu "pai", o cara que cuidou de mim, me ajudou nas lições de casa, me salvou de um lugar horrível! Como posso superar isso? Depois de um tempo tentando me acalmar, finalmente parei de chorar. Mas sentia que a sensação ia voltar logo. Então perguntei em voz alta que horas seria o interrogatório.
 - Agora mesmo- a policial se sentou ao meu lado e deu um sorriso consolador- Vamos.
 - Você que vai fazer o interrogatório?- eu perguntei com voz rouca.
 - Não, outro policial. Escute: relaxe e só conte verdades, fale como foi seu dia, o que você fez. Até o que comeu ou com quem ficou- ela disse abrindo a porta de uma sala totalmente cinza, com duas cadeiras e uma mesa exposta ao meio delas- A propósito, meu nome é Vivian.
  Entrei na sala e no mesmo instante, um policial entrou com uma pasta, provavelmente informações. Ele tinha uma expressão ameaçadora.
  - Sente-se- ele disse com uma voz fria; me sentei. Ele abriu a pasta em alguma página qualquer e ao ver alguma informação, uma expressão de surpresa passou pelo seu rosto. Mas não disse nada.
 - Algum problema?- eu perguntei, tentando manter a voz firme.
 - Spinnet é o sobrenome de Jorge certo?- ele perguntou fechando a pasta e a colocando sobre a mesa.
 - Sim. Uma ano após ele me adotar, nos fomos ao cartório e ele me deu o sobrenome dele. Minha mãe me abandonou e sequer me deu um nome- eu disse me lembrando do que me disseram por lá. Colocaram esse nome em mim porque, de acordo com elas, era um nome bonito para se dar a uma menina bonita.
 - O que você fez hoje?- ele perguntou.
 - O de sempre: fui para escola, voltei para casa, encontrei Jorge que era para chegar um dia depois, na Sexta, e com ele estavam: Agnes e Adelle, filha e mãe. Ele disse que iria se casar com ela, que se conheceram em Nova Iorque quando ele viajou à trabalho. Ah! Antes de ir dormir, Adelle disse que iria fazer alguma coisa no escritório dele e depois...como já disse, fui dormir.
 - Bem, não posso acreditar em meras palavras de uma adolescente qualquer. Preciso fazer mais perguntas e iremos colher digitais da arma do crime- ele disse. Em seguida, mais e mais perguntas sobre o que fiz hoje, minha relação com Jorge, sobre a minha vida, quando nos mudamos para cá e etc. Depois de uma hora e meia apenas respondendo perguntas. Fui liberada para ir até o hospital. Vivian foi comigo.
 Ao chegar, Vivian foi falar direto com a recepcionista e ela nos encaminhou a um médico que cuidara dos ferimentos de Jorge. Depois de Vivian e o médico conversarem sobre o crime, provavelmente, até porque não pude ouvir, tive de ficar sentada esperando notícias. Depois de um tempo curto esperando e pensando em memórias engraçadas e felizes para não ficar chorando, Vivian se sentou ao meu lado.
 - E aí?- eu perguntei com a mesma voz rouca do interrogatório.
 - Você pode vê-lo uma última vez e...bem, uma última vez- ela disse com uma expressão triste no rosto. Não aguentei, desabei em um choro silencioso e fui até a sala em que ele estava deitado em uma maca.
 - Posso ficar sozinha com ele?- eu perguntei olhando para Vivian, tentando fazer uma expressão muito mais triste para que pudesse ter um momento a sós. Ela assentiu e ficou me esperando do lado de fora da sala.
 - Jorge...- eu disse chorando, peguei sua mão, fria como a neve- Eu te amo, nunca irei me esquecer de você- me debrucei sobre ele e o abracei. O último abraço. Último toque. Última palavra- Obrigada, por tudo.
 Não sou nada boa com despedidas, até porque nunca me despedi de ninguém, agora sei como dói. Vivian abriu a porta fez um gesto com a mão pedindo que a seguisse.
 - É o seguinte: se você quiser, podemos fazer um velório ou se preferir...- já sabia o que ela ia dizer. Preferia a segunda opção, menos dolorida e rápida. Eu não ia querer vê-lo sendo cremado, simplesmente pedi para que me mandassem as cinzas- Mas, infelizmente não temos dinheiro para bancar isso. Teremos de ver como está a conta bancária dele e assim que for tirada as digitais, iremos passar a herança para você, se ele deixou mesmo para você no documentos, e definir como será realizado esse processo. Daqui uma semana os resultados irão sair.
Vivian me levou em casa junto de outro policial e pediu para que empacotasse tudo que fosse usar para levar a um abrigo, pois ficaria alguns dias lá. Até decidir o que seria feito comigo. Até poderia comprar um apartamento mais para frente se a herança fosse deixada comigo, se Adelle não tivesse sabotado alguma coisa em relação as digitais para me fazer parecer culpada.
Praticamente tudo depende das digitais.
E tenho certeza de que são de Adelle.




quinta-feira, 7 de abril de 2016

De cabeça para baixo, capítulo 4

Depois de chegar em casa muito satisfeita com minha vingança, logo me enrolei em minha cobertas para ter uma ótima noite de sono, sabendo que estava vencendo.
Acordei, não queria sair da cama, mas logo me lembrei do que havia feito ontem. Onde é que estava com a cabeça? E se me pegassem...me expulsassem...ou pior: contassem para Jorge? "O que foi feito, está feito", tentei colocar isso na minha cabeça, mas não funcionou. Levantei da minha cama e me arrumei rápido, quem sabe eu não tivesse tempo para excluir meu comentário no blog e tirar as fotos da escola? Mas não, faltavam 30 minutos para o sinal bater e todos entrarem na sala, estava atrasada; malditos 5 minutos que se tornaram quase 30. Tomei café da manhã rápido e fui direto para o carro, sai correndo para escola. No meio quase atropelara um pombo, mas por sorte ele voou a tempo.
Cheguei faltando 10 minutos mais ou menos para as aulas de iniciarem. Entrei correndo na escola e vi várias pessoas olhando para os cartazes. Diminui a velocidade para não aumentar suspeitas e enquanto passava pelo corredor ouvi: "Essa não é Olívia e aquele garoto, o Matt?", "Agnes vai odiar ver isso", "Descarado!", "Quem foi a mente brilhante que fez isso? Bem feito para aquele casal lixo! Mereceram!". Sorri discretamente. Ao passar por um corredor, vi uma foto que provavelmente fora rasgada da parede, na mão de Agnes enquanto ela chorava e gritava de raiva com Olívia. Havia uma pequena multidão de formado em volta das duas. Onde você está Matt? Não pude resistir e ao passar por elas, disse:
  - Quem será que tirou essas fotos? Brilhante- algumas pessoas me olharam duvidosas, outras com um sorriso meio disfarçado no rosto porque com isso já perceberam que eu era a "mente brilhante".
  O sinal tocou. Peguei meus livos correndo e entrei na sala de matemática, sentei em meu lugar e vi umas três pessoas tirando as fotos que estavam debaixo da carteira, uma delas foi o Matt. Ele olhou para a foto assustado e a rasgou e jogou no lixo. Sorte a dele, a aula do dia de hoje não é em companhia de Agnes ou Olívia. Eu virei para trás enquanto o professor olhava o livro dele e meus olhos de encontraram com os de Matt.
 - Quem mais você vai beijar?- olhei para ele e joguei um beijo em sua direção, sarcasticamente.




Na saída, encontrei Carl, Missie e Tyler ao redor de Matt e Agnes, disfarcei mexendo no meu armário para poder ouvir a discussão:
  -Você me traiu com aquela...aquela- ela rompeu em lágrimas.
  - Olha, eu posso explicar, Ally só estava com raiva da gente e...- ele não terminou, Olívia passou por perto e o pegou pelo braço e lhe deu um beijo.
  - Você me dá carona ursinho?- aquela voz melosa e fina me faz ficar completamente enjoada.
  - Claro, ursinho- ele diz meio embaraçado.
  - E ainda a chama como você me chamava?!- ao dizer isso, ela passou pelo meu armário e me viu. Droga, devia ter me escondido em outro lugar.
  O rosto dela ficou completamente vermelho e ela avançou para cima de mim gritando um monte de palavrões, me pegou pelo pescoço me colocando contra os armários, não conseguia processar mais nada, estava ficando sem ar, precisava desesperadamente de ar. Tentei tirar as mãos dela de minha gargante,inútil. Graças à Deus Carl a tirou se perto de mim, juntamente de Missie. Agnes saiu correndo e Missie foi atrás, enquanto eu me ajoelhei no chão e comecei a repor minha respiração.
 - Você está bem?- Carl perguntou em tom preocupado, demorei para responder pois estava ocupada demais repondo minha respiração e porque não sabia se ele estava falando sério.
  - Sim- eu disse olhando para ele, eu menti, pois meu pescoço estava doendo muito. Ele me ajudou a levantar e se ofereceu para me dar carona, falando que Missie não se importava. Olhei desconfiada para ele e disse não.
  No dia seguinte, tudo estava bem, normal, ou sem dramas. Até porque Agnes, Matt ou Olívia não foram para escola. Matando aula...provavelmente.
  Prova já marcada, mais um bolo de lições de casa e aquele cheiro de creme para espinhas. Normal. Isso é a escola. Meu dia, por incrível que pareça, estava normal, amanhã já seria sexta, ainda bem, e logo veria Jorge novamente. É horrível fica sem ele. Peguei minha picape e fui para a casa. Ao estacionar o carro na garagem, vi que o carro de Jorge já estava lá. Meu coração começou a bater mais forte. Finalmente.
  - Olá Jorge! Você não..- eu comecei a falar ao abrir a porta de casa, mas não terminei pois vi Jorge segurando a mão de uma morena alta, e linda. E Agnes sentada no sofá com olhos meio inchados.
  - Oi!- Jorge disse, ia se soltar da moça, mas ela não o deixou vir me abraçar.
  - Como vai?- ela disse com um sorriso enorme no rosto.
  - Quem é ela?- eu disse, sequer respondi a moça. Só queria saber quem era aquela mulher. Alguma coisa em seu olhar não me agrada.
  - Bom...desculpa por não te contar por telefone ou mensagem, é algo para se dizer pessoalmente- meu coração começou a bater com ainda mais força-, quando fui viajar a trabalho, conheci essa maravilhosa mulher, que também estava lá, em Nova Iorque, a trabalho. E nos apaixonamos. Passamos uma noite inteira conversando, nos conhecendo. Então, gostaria de apresentar-lhe: Adelle e Agnes, sua futura mãe e irmã!

quarta-feira, 2 de março de 2016

De cabeça para baixo, capítulo 3

Trimmmmmmmmm!
O despertador tocou as 7:00, como na segunda, e como tocaria pelo resto da semana, nada demais, apenas a rotina. Depois de levantar da cama desejando os cinco minutinhos que acabariam se tornando mais longos e me atrasando, tomei um banho banho quente  e depois me arrumei, não me esquecendo de agora, levar shampoo e sabonete para a escola e mais roupas reservas para deixar no armário. Como poderia ser o dia de hoje?
Ao descer para tomar café da manhã, Jorge não estava lá e havia um bilhete preso a geladeira dizendo que ele precisara fazer uma viagem de última hora, dizendo que só voltaria na sexta. Hoje era terça feira. Depois de fazer o café da manhã peguei a minha mochila e as chaves do meu carro e parti para a escola. Ao chegar, não havia ninguém nos corredores, claro, chegara quinze minutos mais cedo antes de as aulas começarem. Era ótimo para dar uma olhada na biblioteca, que não havia olhado antes devido a um pequeno imprevisto. Ao chegar, havia um casal meloso na biblioteca. Não vi quem era, sai correndo de lá. Ao andar pelo corredor em direção ao meu armário, me esbarrei com o garoto de quem estavam "tirando sarro"; quando ia dizer umas belas palavras para ele, algo em mim me disse não e começou a movimentar minhas pernas, estava com medo de outra pegadinha de mal gosto. Quando estava correndo, não tão rápido para não parecer que fiz nada de errado, senti algo batendo em meu pé e depois minha cara colidindo com o chão. Ao me sentar massageando meu nariz que provavelmente estava prestes a sangrar, vi uma morena de cabelos encaracolados, a que estava ao lado de Agnes quando jogou tinta em mim. E um loiro que também estava tirando sarro dele. Sai de perto deles que estavam rindo da situação e fui ao banheiro, de novo. ao me olhar no espelho, eu estava chorando, limpei minha lágrimas (e também o sangue do meu nariz), ao sair do banheiro já havia bastante gente no corredor. Peguei meu livro de biologia e entrei na sala. Cinco minutos depois bastante gente entrou na sala, quando batera o sinal. Dentre essa gente, a panelinha idiota, porém com alguém "novo", uma loira de olhos castanhos.
- Doeu foi? Bebezinha?- a morena de cabelos cacheados disse rindo, mas não com muito deboche.
- Vamos Missie, deixe ela com seus probleminhas sozinha- disse o loiro para a morena, quero dizer, Missie.
- Claro, Carl- ela disse e em seguida o beijou. Matt, Carl, Missie e Agnes, só faltava descobrir mais dois nomes da panelinha.
Pelo que pude ouvir pelo dia, o garoto nerd que pulara de ano era Tyler, e a loira era Olívia.
Quando o intervalo finalmente chegou e pude dar uma pausa para meu cérebro, peguei meu celular e mandei uma mensagem para Jorge:
Eu: Hey! Já se esqueceu de mim?!
Jorge: Óbvio que não!
Eu: Para onde você foi? Sequer se despediu de mim!
Jorge: Miami. Me perdoe. foi literalmente de última hora. Espero não ter garotos em casa viu?
Eu: Okay, okay, não esquenta a cabeça!
Jorge: Você não devia estar na aula agora, mocinha?
Eu: Intervalo. Beijos, o sinal acabou de bater
Jorge: Estou de olho!
Desliguei o telefone e voltei para a aula.
Foi um longo dia, com vários deveres para casa. Isso no segundo dia de aula. Quanto mais os anos passam, mais difícil, não é isso o que dizem?
Ao sair para o estacionamento, só havia os carros dos professores, a minha picape e a Ferrari vermelha, havia passado um tempo na biblioteca dando uma olhado nos livros. Resolvi olhar pela a janela do carro, discretamente. Erro meu, pois vi Matt e Olívia aos beijos dentro do carro. Peguei meu celular e tirei uma foto. Sai correndo em direção ao meu carro, e fui embora.


Mas por que tiraria aquela foto? Comecei a procurar motivos pela minha cabeça. Porém não consegui achar nenhum. Depois de um tempo refletindo e ao chegar em casa, lembrei-me que Matt estava com Agnes, e não a Olívia, quero dizer, hoje mesmo os vi abraçados na última aula. Não poderiam terminar do nada e Matt não poderia ficar com uma garota tão rápido após um termino. Mas isso pode ser uma vingança. Agnes provavelmente não sabe disso, então, traição. "A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena", o ditado é mais ao menos assim, mas que se dane, o importante é o que tenho em minhas mãos.
- Chegou tarde? Esteve andando com alguém especial?- eu disse para Matt quando eu e ele estacionamos o carro e saímos. Ele me olhou confuso e ignorou. Havia uma marca de batom na bochecha dele- Melhor lavar isso dai!- eu gritei quando ele abriu a porta da casa dele. Estava me sentindo vitoriosa. Entrei em casa, larguei a mochila no chão e fui para a cozinha, peguei um pacote de salgadinho e meu celular e fui para o meu quarto. Sentei na cadeira e coloquei tudo sobre a escrivania que ficava em frente a minha cama, liguei o Notebook e passei a foto do meu celular pra ele, em seguida comecei a imprimir algumas cópias.
Fui ao escritório de Jorge e peguei as fotos que saíram da impressora.
- Hora do meu  show começar- eu disse em voz alta.
Peguei as fotos e coloquei na minha mochila, esperando ficar a noite para entrar na escola e montar uma surpresinha para quando os primeiros alunos chegarem. Coloquei um capuz preto e um grampo de cabelo, poderia tentar abrir as portas com aquilo.
Quando o relógio marcou dez em ponto, peguei minha mochila, coloquei nas costas e fui até a garagem pegar minha picape. Parei a dois quarteirões de distância da escola, só por precaução e sai do carro. Depois de caminhar uns cinco minutos, cheguei à escola. Pulei o portão e cheguei em frente as grandes portas de vidro. Tentei abri-las. Trancadas. Peguei o grampo que deixei preso ao meu cabelo e consegui abrir a porta depois de algumas tentativas. Verifiquei se não havia ninguém no corredor e se estava com o capuz cobrindo a minha cabeça, e se havia pegado uma mochila diferente da que eu levo para a escola, afinal, isso poderia abrir uma suspeita contra mim, até porque as câmeras estavam gravando tudo. Peguei um durex a comecei a colar as fotos nas paredes. Colei ao total 20 fotos pelo corredor de entrada, as outras trintas (havia imprimido 50) estavam espalhadas por debaixo de algumas carteiras sortidas de algumas salas. Depois de terminar o trabalho, sai da escola e a tranquei. Pulei o portão e sai correndo em direção a picape.
Ao chegar, peguei meu Notebook no banco ao lado e conectei um pen-drive com internet. Criei uma conta anônima no Google, entrei no blog da escola, comandado por Agnes e postei a foto nos comentários.
Agnes 1 x Ally 1. Matt 1 x Ally 1.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cientista x Jogador de Futebol

Duas profissões, dois ramos completamente diferentes. Cientistas e jogadores de futebol. Jogadores de futebol nos entreterem, deixam alguns com muita tensão na hora de marcar um gol ou algo do tipo. São muito conhecidos e ganham muito bem, além de serem muito valorizados! Cientistas passam anos na faculdade, rachando a cabeça de tanto estudar para tirar um diploma, fazer novas descobertas que nos ajudam no nosso dia a dia; exemplo: antes de Eratóstenes muitos, quero dizer, acho que todos pensavam que a Terra era plana. Conhecia esse cara? Não? É, acho que muitos não conhecem; mas foi ele que perguntou o por quê e, sem tecnologia alguma, descobriu que a Terra não era, nem é, plana. Continuando: os cientistas não recebem o mesmo valor e conhecimento que os jogadores de futebol, ou cantores, ou atores. E foram eles, os cientistas, tão pouco valorizados, que resolveram perguntar o por quê, quando e como.
Se não fosse por essas incríveis mentes, não saberíamos nem a metade do que sabemos hoje, se não fosse por eles, não teríamos nem metade do que temos hoje.
É ai que quero chegar: um cientista que contribui com a população de hoje, que deixaram incríveis descobertas do passado para a gente, é menos valorizado e reconhecido do que um jogador de futebol! Quando jovens brasileiros ganham medalhas de física, astronomia, matemática e etc., não são reconhecidos. Enquanto fazer um gol leva mais fama do que ganhar medalhas em física, por exemplo.
Meus verdadeiros heróis estão em livros de ciências, matemática e etc. Mas cada um escolhe o herói que deseja. Só acho, quero dizer, tenho certeza que os cientistas deveriam ser mais reconhecidos e valorizados.
P.S.: Lembrando que não estou menosprezando profissão alguma, cada um escolhe e tenta alcançar a que quiser, apenas estou abordando um tema que a sociedade de hoje em dia deveria parar um pouco para refletir. Hoje temos o ramo do entretenimento, que é muito mais valorizado do que o ramo do conhecimento, por exemplo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

De cabeça para baixo, capitulo 2

Não podia ser! Além de ter de atura-lo na escola, também teria de aturar como vizinho! Matt, o carinha que me humilhou na frente da escola inteira.
- Vizinha nova é?- ele perguntou saindo do carro com um sorriso de deboche.
O ignorei como se fosse apenas um grande nada. Exatamente o que ele era na minha vida. Entrei em casa e resolvi jogar videogame para tirar o acontecimento da escola da cabeça. Então me lembrei de que um professor havia comentado sobre um blog da Hilston High School, de uma tal de Agnes, resolvi entrar. Péssima ideia. Assim que entrei, havia uma foto minha coberta de tinta cor de rosa, resolvi olhar a foto da dona do blog: a garota de cabelo liso que jogara a tinta em mim! Eu fiquei furiosa, quando soltei um palavrão alto a porta de casa abriu e Jorge chegara.
  - Por que chegou tão cedo?- eu perguntei olhando o relógio ao lado da porta. 16:00.
  - Por quê? Tem algum garoto escondido ai?- Jorge perguntou subindo as escadas correndo e revistando meu quarto.
  - Não tem nada ai Jorge, relaxe!- eu disse soltando gargalhadas.
  - Respondendo a sua pergunta- ele disse descendo as escadas e com a voz suave, como sempre-, os vizinhos irão jantar aqui ás 19:00, ou seja, venha me ajudar a pegar as compras no carro e me ajudar na cozinha e...rosa? O que é isso no seu cabelo?- ele disse olhando para mim, quero dizer, para o meu cabelo. Droga, esquecera de tirar.
    - Não...só...só...- não podia contar a verdade, ele iria arrumar uma confusão na escola. Jorge sempre teve um instinto protetor- só deixei um balde de tinta cair no cabelo, quero dizer, estava dando uma olhada no teatro da escola e estavam pintando algumas coisas e sem querer caiu em mim e... na verdade eu que cai em cima de um balde de tinta...
  - Melhor dar um jeito de tirar isso antes de os convidados chegarem- ele disse meio desconfiado- pode deixar que pego as coisas no carro,  melhor você ir colocando seu avental de uma vez...Não se esqueça de lavar as mãos, com bastante sabonete!
  Soltei uma risada e fui fazer o que Jorge pedira; depois de mais ou menos uma hora cozinhando, eu e Jorge preparamos a mesa e em seguida fomos nos arrumar. Depois de um bom tempo tentando tirar a tinta do cabelo, sai do banho e comecei a me arrumar.
  Quando desci, os convidados já haviam chegado. Não eram outros vizinhos, eram os indesejáveis: Matt, Agnes e os pais de Matt. Ao repararem (Matt e Agnes) que eu estava lá, olharam para mim com um sorriso falso e eu os cumprimentei, por educação.
  - Prazer, Sonia- a provavelmente mãe de Matt me cumprimentou com um sorriso radiante no rosto. Era loira de olhos castanhos, muito bonita- Esse é Pedro, meu marido, somos os pais de Matt e essa- ela disse apontando com um certo desprezo para Agnes- é a namorada dele, Agnes.
  - Ally, é meu nome; aliás, o prazer é meu. Já tive uma bela oportunidade de conhecer Matt e Agnes- eu disse com ironia-, somos colegas de classe.
  - Você não me contou Matt- Sonia disse ainda olhando para mim.
  - Se fosse contar sobre cada aluno daquela escola- ele disse usando sarcasmo, mas então pediu desculpa baixinho quando o pai, Pedro, o lançara um olhar faiscante.
  - Então, já sabe o que planeja estudar?- Jorge retomou a conversa quando voltou com os pratos, perguntando para Matt.
  - Ainda não sei- ele disse começando a comer.
  - Enquanto a você, Agnes?- eu perguntei.
  - Pensarei quando estiver na hora de escolher- ela disse olhando para mim, com os olhos faiscando de raiva.
  - Para mim um futuro sem planejamento não é nada!- eu disse, em seguida levei uma garfada a boca.
  - Ally, modos- Jorge cochichou ao meu ouvido.
   Pelo resto do jantar não disse mais nada, apenas respondi o que me perguntavam.
  Quando estavam indo embora, tive a obrigação de acompanha-los até a porta, o último a sair foi Matt.
  - Nova vizinha, ainda por cima você- ele disse isso com a voz suave, suave demais para alguém que fizera aquilo de manhã comigo. Quando ia dizer algo, ele já havia ido embora. Ao entrar, ajudei Jorge na cozinha, em seguida fui dormir. Amanhã será um longo dia...